Os números de desempenho da ação, entretanto, destoam de uma apresentação tão grandiosa. O papel preferencial, que possui mais liquidez, recua 22,7% no ano e 1,35% desde o início de setembro, de acordo com o fechamento do pregão de quarta-feira (14). Os riscos de uma recessão mundial, associados à frágil economia norte-americana, à crise fiscal na Europa e à redução do consumo na China pressionam o setor de commodities, que tem seu preço formado no mercado externo.
Por conta do cenário macroeconômico, as casas de research estão mais cautelosas ao incluir a ação da estatal em suas carteiras. O próprio tamanho da companhia, e os efeitos da ingerência estatal, também têm se tornado impasses. Diante dos riscos, conheça 10 motivos para vender os ativos da companhia.
- Falta de catalisadores no curto prazo
Todo o histórico positivo da Petrobras está concentrado no longo prazo. O presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, confirmou, em junho, que a produção de óleo da companhia em 2020 pode atingir 6 milhões de barris por dia, com a contribuição de 5 bilhões de barris de óleo recuperável das áreas da cessão onerosa do pré-sal e com a adição de novas áreas de produção ao portfólio da companhia.
"A empresa está em um caminho de ganho de valor no longo prazo, mas o investidor que busca um resultado mais imediato para a ação não vê catalisadores no curto prazo", afirma o analista da Banif Corretora, Oswaldo Telles. Além disso, "a expectativa de aprimoramento de produção no curto prazo mantém-se baixa", completa a Ativa Corretora.
- Ingerência política
Por ser uma empresa de grandes dimensões e controlada pelo Estado, é pouco provável que a Petrobras possa encarar uma falência no longo prazo, ao contrário de companhias privadas e de menor estruturação no setor.
Por outro lado, a "ingerência tem trazido algumas coisas negativas para a empresa. Por exemplo, a política de preço de gasolina e diesel no mercado interno e a influência política para a colocação de certas instalações, como refinarias", afirma Oswaldo Telles, da corretora Banif.
"Se a Petrobras tivesse uma gerência privada ao invés de pertencer ao governo, o que seria exatamente o oposto do que ela é, eu acho que o impacto seria positivo na geração de valor dela, porque isso eliminaria muitos entraves - que foi o que aconteceu com a Vale por exemplo, em termos de investimentos não dependerem do orçamento, licitação, coisas nesse sentido", explica a Fator Corretora.
- Alta do petróleo tem impacto menor do que em empresas privadas
Para o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, há uma tendência de alta no preço internacional do barril de petróleo que deve permanecer no longo prazo. "Não vejo motivos para este preço cair", avaliou Gabrielli nesta quinta-feira (15). Apesar do viés de alta, a companhia possui uma menor correlação com a alta do commodity do que o resto do setor, já que demora mais a repassar os preços.
Nas contas do Credit Suisse, uma alta de US$ 10 no preço do barril do petróleo pode trazer um efeito positivo de 9,9% no lucro por ação da Petrobras, valor muito abaixo da alta entre 15% e 20% esperada para os ganhos de companhias como Exxon Mobil, Chevron, ConocoPhillips e BP.
Em uma lista elaborada pelo Credit Suisse com 57 companhias do setor petrolífero, a Petrobras aparece na 47ª posição em termos de sensibilidade aos preços do petróleo. Segundo o banco de investimentos, essa baixa correlação ocorre por conta do menor impacto que as cotações mais altas no mercado internacional provocam nos preços da gasolina e do diesel na economia doméstica.
- Cenário incerto em bolsa
A Petrobras representa o segundo maior volume de participação na carteira do Ibovespa, atrás apenas dos papéis PNA da Vale (VALE5). Desta forma, fica muito mais exposta à aversão ao risco e à volatilidade da bolsa brasileira do que empresas com menor participação no índice ou pertencentes à setores mais defensivos, como o de energia elétrica.
- Crescimento desproporcional à capitalização
A Petrobras está engajada em um gigantesco processo de crescimento após a descoberta de novas reservas na camada pré-sal. Mas antes de atingir a expansão de seus negócios, para os quais a companhia captou R$ 120,36 bilhões em bolsa no ano anterior, a empresa esbarra em um crescimento de produção menor do que sua capitalização.
Os números modestos de produção em agosto, com uma melhora marginal em setembro, podem fazer com a empresa decepcione o nível esperado para 2011. "Acreditamos que um patamar mais saudável de crescimento de produção não irá emergir em 2012, mas apenas em 2013", ressaltam os analistas Christian Audi e Vicente Falanga Neto, do Santander, que rebaixaram a recomendação dos papéis de compra para manutenção na última quarta-feira (14).
"Mantemos a expectativa de que somente com a recuperação dos indicadores operacionais da Petrobras, em especial a retomada do crescimento da produção doméstica de petróleo, poderemos ter uma revisão de percepção sobre a estatal diante de um cenário de preço de petróleo ainda muito favorável para petrolíferas", diz a equipe de análise da Ativa Corretora em relatório.
- Resultado deixou a desejar
O resultado no segundo trimestre de 2011 da Petrobras apresentou números alinhados com as expectativas do mercado, porém alguns analistas consideraram os números "fracos e de qualidade a desejar", haja vista a piora das margens operacionais pelo segundo trimestre consecutivo.
- Política de não repasse de preços
A falta de capacidade de refino da gasolina e do óleo diesel para atender ao mercado interno tornou-se um grande problema para a estatal. A empresa teve que importar derivativos a um preço superior ao praticado no mercado interno e, mesmo com o câmbio favorável, este foi o principal motivo de piora na rentabilidade da companhia no primeiro semestre.
A empresa não pode repassar a alta do petróleo do mercado internacional para os preços praticados no mercado interno, o que pressionou o resultado da companhia, admitiu o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, na teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2011.
- Excesso de segmentação
Por ser muito grande e segmentada, a empresa mostra-se difícil de gerir e ter seus riscos avaliados. "A Petrobras é uma empresa gigantesca, com tentáculos em vários setores, cada um deles com a sua idiossincrasia própria. Então é muito difícil você saber o valor da Petrobras, bem como identificar a capacidade dela de gerar ou destruir valor, ou de gerar bons dividendos ou não", explicou em março à InfoMoney Fernando Camargo Luiz, sócio e gestor da Orbe Investimentos
- Alta alavancagem
A estatal terá um grande crescimento de sua alavancagem nos próximos anos, decorrente do expressivo programa de investimentos e dos desafios dos projetos do pré-sal. O cenário levou a agência de classificação de risco Fitch a rebaixar o rating em moeda local da Petrobras de 'BBB+' para 'BBB', em abril.
- Volatilidade do setor
O setor de petróleo e gás passa por um período de volatilidade, devido às incertezas com a crise de dívida na Europa, a frágil recuperação da economia dos Estados Unidos e ao problema de oferta na Líbia após os conflitos civis para a deposição do ditador Muammar Ghaddafi no começo do ano.
As commodities estão diretamente atreladas ao ritmo de crescimento global e, consequentemente, sujeitas à forte volatilidade e à formação de preços no exterior. Cabe destacar que embora o Brasil seja forte na produção de papel e celulose, minério de ferro e soja, o petróleo não é uma exploração de commoditiy dominante no País.
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