sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Minha sexta-feira 13: operadores contam seus grandes dias de azar na bolsa nesta data!



Minha sexta-feira 13: operadores contam seus grandes dias de azar na bolsa

 

SÃO PAULO - Em 2012, a sexta-feira 13 aparece três vezes no calendário: em janeiro, abril e julho. Mas os dias de mau agouro no mercado não têm data marcada, principalmente para quem opera - e coloca a sorte à prova - todos os dias. Quase ninguém espera que a energia elétrica acabe de uma hora para outra, ou que em apenas dois dias R$ 30 mil possam se transformar em um prejuízo de mais de R$ 500 mil.

O operador Douglas Ramos Pinto, da BGC Liquidez, chegou a chorar no pregão viva-voz da BM&F Bovespa, em uma sexta-feira de 1986. A sessão antecedia um vencimento de opções, na segunda-feira seguinte, e ele operava vendido em opções de ações da Paranapanema (PMAM3). "Eu operava muito alavancado, com cerca de 20 mil cruzeiros, que na época representavam 10% de tudo o que eu tinha. Um grupo de clientes de algumas corretoras puxou os ganhos do papel, sem nenhum fundamento", ele lembra. "A cada 10 centavos que subiam, mais uma lágrima caía", admite aos risos.

Na época, sua posição foi assumida pela corretora e no pregão seguinte os papéis traçaram a trajetória inversa, devolvendo uma boa parte das perdas. "Ganhei uma lição de vida. Por isso, a sexta-feira tornou-se um dia de sorte", afirma o operador, que deixou de se apegar às superstições desde então.

"Acabou a energia elétrica e perdi a operação"
Pedro Braz, da TOV Corretora, trabalha desde 2006 na mesa de operações. Segundo ele, sua sexta-feira 13 foi "um caso clássico". Ele estava posicionado em ações e, de repente, acabou a energia elétrica da corretora. Dali em diante, não conseguiu mais operar. "O mercado afundou, mas por mais que tentasse, não consegui "estopar" (interromper a ordem em um determinado patamar de preço), lamenta.

A falta de atenção às vezes toma o lugar do azar. Foi assim que Braz perdeu um bom dinheiro ao confundir o código de duas ações. "Operava com dois papéis, MPX (MPXE3) e MMX (MMXM3). Comprei um e vendi o outro. Achei que tinha me dado muito bem, mas mudei uma letra no código, e a situação foi a inversa", diz. Na ocasião, ele operava com um patamar entre R$ 300 mil e R$ 400 mil.

"Em dois dias, já estava devendo R$ 500 mil" 
Marcelo Heinerdinger - conhecido no mercado pelo apelido "Cincão" -, tomou um susto daqueles quando tinha apenas 20 anos. Ele operava com uma trava de volatilidade de compra e venda, com uma oscilação de 5%, cerca de 2,5% para cima ou para baixo. Os R$ 30 mil com que negociava transformaram-se em um prejuízo de R$ 150 mil em apenas um dia.

"Fiquei anestesiado. Não queria dormir, não queria comer", lembra. No outro dia, já eram R$ 500 mil em prejuízos, e ele não imaginava como poderia arcar com uma dívida tão grande. "Fui chamado na sala do diretor da corretora. Estava tão conformado, que era o mais calmo entre eles". No terceiro dia, os prejuízos foram amenizados e o prejuízo recuou para um patamar entre R$ 110 mil e R$ 130 mil.

Marcelo teve que vender o carro e demorou mais de um ano para recuperar-se financeiramente. "Descontava do meu salário uma parte da dívida para pagar à corretora todos os meses. Para fazer a faculdade, tive que pedir dinheiro emprestado aos amigos de trabalho", afirma. "Ao final, foi um alívio. Aprendi uma boa lição. Pena que tive que pagar tão caro", conclui.

 

Fonte: Infomoney Link da reportagem:  http://www.infomoney.com.br/entrevistas/noticia/2313104-minha+sexta+feira+operadores+contam+seus+grandes+dias+azar+bolsa

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