O início das operações da OGX, previsto para o próximo dia 28 de janeiro, se tornou um fator adicional de pressão às ações da HRT Participações, que passará a ser a única companhia pré-operacional do setor de óleo e gás listada em Bolsa no Brasil. A situação, detectada por analistas consultados pela Agência Estado, contribui para a queda de quase 30% em 2012 nas ações da HRT, companhia que abriu o capital em outubro de 2010 e chegou a ver a cotação dos papeis saltar de iniciais R$ 1.200 para mais de R$ 2.100 em março de 2011.
O entusiasmo inicial com o papel, entretanto, foi substituído nos últimos meses por insatisfação e desconfianças por parte dos investidores, somado aos temores sobre os rumos da economia mundial. Uma das críticas em relação à companhia é o descompasso entre o entusiasmo do presidente Marcio Rocha Mello em apresentações a investidores e os resultados efetivos na campanha exploratória. "A estratégia de relação da empresa com os investidores foi agressiva, o que pode ter contribuído para inflar as expectativas do mercado", sugere o analista de energia da Ativa Corretora Ricardo Correa, apontando uma das explicações para a ação estar cotada atualmente abaixo de R$ 400.
O último sinal de insucesso detectado pelo mercado ocorreu em 3 de janeiro, quando a companhia publicou informações sobre o teste de formação do poço 1-HRT-4-AM. Na visão do mercado, o teste confirmou a existência de indícios de capacidade de produção aquém do esperado, além da inexistência de petróleo no local. Como resultado, as ações da empresa caíram quase 30% entre 3 e 4 de janeiro.
Para analistas que acompanham o setor, a reação à notícia foi exagerada. Por isso, suspeita-se que as ações da companhia não estariam sendo penalizadas apenas devido aos insucessos exploratórios, mas também em decorrência do contexto no qual a HRT está inserida. "Se um investidor deseja permanecer em petróleo, ele tende a investir (neste momento) na Petrobras, que é uma grande companhia, ou na OGX, que contará com aumento de produção", explica o analista do Banco Geração Futuro, Lucas Brendler.
A OGX também é considerada uma opção mais atrativa do que a HRT para os investidores que desejam retorno a prazos menores, já que a companhia está "alguns passos à frente" da concorrente em termos de produção, destaca o analista da SLW Corretora, Erick Scott. Além de iniciar no final deste mês um teste de longa duração (TLD) a partir da conexão de um poço no campo de Waimea, a OGX prevê conectar outros dois poços no sistema ainda este ano e iniciar a produção de gás natural na Bacia do Parnaíba ao longo do segundo semestre.
Semelhanças
A relação entre OGX e HRT não está restrita a uma eventual migração de investidores entre as empresas. Para muitos analistas, a trajetória das ações da HRT nada mais é do que um reflexo do que ocorreu com os papeis da OGX em um período no qual a produção ainda era um objetivo distante da companhia. "As ações da HRT ainda estão muito voláteis, como ocorria com a OGX dois anos atrás", compara Brendler.
Após realizar a até então maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da história brasileira, em junho de 2008, a OGX registrou queda de 53% nas ações até o final daquele ano - com base em dados ajustados por proventos pela Economática. No ano seguinte, o papel disparou 235%, e em 2010 voltou a cair 13%. No ano passado, as ações ordinárias da companhia tiveram desvalorização de 32%.
A volatilidade da HRT é explicada em partes pela situação pré-operacional da companhia e em partes pelo perfil dos investidores. Enquanto a estrutura acionária da OGX é mais pulverizada, as ações da HRT ainda estão concentradas nas mãos de investidores estrangeiros, muitos deles participantes da abertura de capital da companhia realizada em outubro de 2010. "Com a (recente) queda dos preços, poderemos ver uma participação mais pulverizada", afirma Correa, da Ativa. "Vemos que alguns deles (investidores estrangeiros) estão saindo agora", complementa o analista. Esse movimento poderá contribuir para reduzir a volatilidade do papel e tornar a ação da HRT mais previsível e atrativa para investidores locais.
Fonte: Agência Estado - Broadcast - André Magnabosco
O entusiasmo inicial com o papel, entretanto, foi substituído nos últimos meses por insatisfação e desconfianças por parte dos investidores, somado aos temores sobre os rumos da economia mundial. Uma das críticas em relação à companhia é o descompasso entre o entusiasmo do presidente Marcio Rocha Mello em apresentações a investidores e os resultados efetivos na campanha exploratória. "A estratégia de relação da empresa com os investidores foi agressiva, o que pode ter contribuído para inflar as expectativas do mercado", sugere o analista de energia da Ativa Corretora Ricardo Correa, apontando uma das explicações para a ação estar cotada atualmente abaixo de R$ 400.
O último sinal de insucesso detectado pelo mercado ocorreu em 3 de janeiro, quando a companhia publicou informações sobre o teste de formação do poço 1-HRT-4-AM. Na visão do mercado, o teste confirmou a existência de indícios de capacidade de produção aquém do esperado, além da inexistência de petróleo no local. Como resultado, as ações da empresa caíram quase 30% entre 3 e 4 de janeiro.
Para analistas que acompanham o setor, a reação à notícia foi exagerada. Por isso, suspeita-se que as ações da companhia não estariam sendo penalizadas apenas devido aos insucessos exploratórios, mas também em decorrência do contexto no qual a HRT está inserida. "Se um investidor deseja permanecer em petróleo, ele tende a investir (neste momento) na Petrobras, que é uma grande companhia, ou na OGX, que contará com aumento de produção", explica o analista do Banco Geração Futuro, Lucas Brendler.
A OGX também é considerada uma opção mais atrativa do que a HRT para os investidores que desejam retorno a prazos menores, já que a companhia está "alguns passos à frente" da concorrente em termos de produção, destaca o analista da SLW Corretora, Erick Scott. Além de iniciar no final deste mês um teste de longa duração (TLD) a partir da conexão de um poço no campo de Waimea, a OGX prevê conectar outros dois poços no sistema ainda este ano e iniciar a produção de gás natural na Bacia do Parnaíba ao longo do segundo semestre.
Semelhanças
A relação entre OGX e HRT não está restrita a uma eventual migração de investidores entre as empresas. Para muitos analistas, a trajetória das ações da HRT nada mais é do que um reflexo do que ocorreu com os papeis da OGX em um período no qual a produção ainda era um objetivo distante da companhia. "As ações da HRT ainda estão muito voláteis, como ocorria com a OGX dois anos atrás", compara Brendler.
Após realizar a até então maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da história brasileira, em junho de 2008, a OGX registrou queda de 53% nas ações até o final daquele ano - com base em dados ajustados por proventos pela Economática. No ano seguinte, o papel disparou 235%, e em 2010 voltou a cair 13%. No ano passado, as ações ordinárias da companhia tiveram desvalorização de 32%.
A volatilidade da HRT é explicada em partes pela situação pré-operacional da companhia e em partes pelo perfil dos investidores. Enquanto a estrutura acionária da OGX é mais pulverizada, as ações da HRT ainda estão concentradas nas mãos de investidores estrangeiros, muitos deles participantes da abertura de capital da companhia realizada em outubro de 2010. "Com a (recente) queda dos preços, poderemos ver uma participação mais pulverizada", afirma Correa, da Ativa. "Vemos que alguns deles (investidores estrangeiros) estão saindo agora", complementa o analista. Esse movimento poderá contribuir para reduzir a volatilidade do papel e tornar a ação da HRT mais previsível e atrativa para investidores locais.
Fonte: Agência Estado - Broadcast - André Magnabosco
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