| Por dentro do mercado | ||
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| Ao menos por ora, a tendência para a taxa de câmbio é para baixo. Esse é o sinal emitido pelo mercado que ontem viu as moeda perder a linha de R$ 1,80 que vinha sendo respeitada desde o começo de dezembro. Com a ajuda do câmbio externo, onde o euro e outras moedas emergentes se fortaleceram, os vendedores mandaram no pregão, levando o dólar comercial a fechar com baixa de 0,88%, a R$ 1,785 na venda. Menor taxa desde 18 de novembro, quando o dólar fechou a R$ 1,783 (veja gráfico abaixo). Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) o dólar para fevereiro apontava queda de 1,43%, a R$ 1,787, antes do ajuste final de posições. Posição dos bancos em câmbio favorece valorização do real O interessante é que esse movimento de valorização do real é capitaneado pelos bancos, já que os estrangeiros estão fora de ação desde a introdução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre derivativos. Na BM&F, os bancos locais mostram posição vendida líquida de US$ 7,781 bilhões, sendo US$ 2,143 bilhões vendidos em dólar futuro e US$ 5,637 bilhões também vendidos em cupom cambial (DDI - juro em dólar). No mercado à vista é possível estimar que as instituições financeiras estejam vendidas em US$ 2,3 bilhões. No entanto, diz o economista e professor da PUC-Rio, André Cabus Klotzle, esse é apenas um fator pró-valorização da moeda brasileira. Klotzle identifica quatro vetores que explicam esse rápido fortalecimento do real, que segue como a moeda que mais ganha do dólar neste começo de ano (alta de 4,5%). Em ordem de importância, o primeiro vetor são os fundamentos internos sólidos e uma relação risco retorno atrativa para o real. Segundo, a previsão de forte fluxo financeiro nos dois primeiros meses do ano. Terceiro, a posição dos bancos vista acima. E, por último, a melhora do ambiente externo, que se mostra menos carregado que no fim de 2011. "Dentro desse contexto, tudo indica que, em breve, o real voltará ao nível de R$ 1,70", avalia o economista. Na visão de Klotzle, as captações realizadas pelo Tesouro Nacional, Vale, Bradesco e Banco do Brasil são evidência da solidez dos fundamentos domésticos, como lado fiscal sólido, inflação sob controle e convergindo, mesmo que lentamente, para o centro da meta e um crescimento de PIB que tende a se manter entre 3% e 4%. Pelo lado externo, o professor chama a atenção para os bons resultados dos leilões de dívida promovidos pela Itália, Espanha e outros países da região e indicadores econômicos melhores nos Estados Unidos e China. Fatores que elevam a propensão à tomada de risco. "No caso da moeda brasileira, esse fato é potencializado, tendo em vista que no ano passado o real foi a segunda divisa que mais perdeu valor no mundo, atrás apenas do rand sul-africano. Assim, nada mais sensato do que um movimento de correção", diz Klotzle. Ampliando a análise, o professor aponta que esse dólar mais fraco também favorece o Banco Central (BC) no controle da inflação. "Um dólar mais enfraquecido pesaria positivamente nos itens ligados a bens duráveis, que tiveram seu peso elevado após a nova ponderação do IPCA. E também favoreceria a reversão no grupo Alimentos, via preços de commodities em reais mais baixos", conclui. Essa visão acima exposta não é consenso no mercado. Quem discorda, acredita que esse movimento de valorização do real tem caráter pontual, assim como essas captações que se desenrolam agora em janeiro. Ampliar imagem A avaliação é de que o ambiente externo não está favorável ao preço das commodities, principal produto na pauta de exportação brasileira, nem a fluxos constantes ou crescentes ao longo do ano em função da complexa crise na zona do euro. Para ilustrar como é difícil e arriscado fazer prognósticos para a taxa de câmbio, entre 26 de julho e 22 de setembro do ano passado a moeda oscilou 23%, entre a mínima de R$ 1,537 e a máxima de R$ 1,895. Para encerrar o tema vai uma frase do financista Clayde Harrison que resume bem o mercado de câmbio: As moedas não flutuam, elas mergulham em diferentes proporções. Eduardo Campos é repórter
http://www.valor.com.br/financas/1191468/dolar-perde-r-180-e-reforca-vies-de-baixa |
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