SÃO PAULO – Um sentimento de pânico generalizado tomou conta dos mercados financeiros no pregão desta quarta-feira. O aumento da aversão a risco levou a bolsa brasileira a perder mais de 3% e o Ibovespa a alcançar a linha dos 55 mil pontos. Em Wall Street, o mercado acionário chegou a recuar mais de 1%, mas agora conseguiu reduzir uma parte da queda.
Ainda que os fundamentos mostrem-se negativos para o quadro global econômico, a disparada das ordens de venda também se respaldou em fatores técnicos, depois da perda de suportes importantes.
Fica perceptível o movimento de "stop loss", que consiste em limites de perdas que levam os investidores a se desfazerem de posições. Esta atuação, vista quase simultaneamente em São Paulo e em Nova York, acentua ainda mais o viés negativo para os mercados.
O que achama atenção é o fato de o VIX, que mede a volatilidade das opções na bolsa americana e é visto com um termômetro do medo do mercado, ainda estar em níveis bem abaixo dos vistos no auge da crise financeira americana, em 2008.
Há pouco, o índice recuava 4,03%, para 23,79 pontos. Em outubro de 2008, ele ficou próximo dos 80 pontos. O movimento mostra que o mercado está vendedor, porém sem volatilidade.
Na bolsa nacional, o Ibovespa chegou a cair 3,6% na mínima do dia, quando marcou 55.249 pontos. Por volta das 13h20, o Ibovespa recuava 2,81%, aos 55.700 pontos. O volume negociado estava em torno de R$ 4,4 bilhões, mais que o dobro do normal para o período do dia.
No mesmo horário, em Wall Street, o índice Dow Jones caía 1,03%, o S&P 500 perdia 0,93% e o Nasdaq cedia 0,57%.
O diretor da Título Corretora de Valores, Márcio Cardoso, assinala que o mercado sofre por um medo crescente dos investidores e acredita que o movimento visto mais cedo teve menos fundamento e mais fatores "irracionais", como "stops" de posições.
No mercado europeu, a tensão está voltada principalmente para à situação da Itália e da Espanha. O medo de que os países não possam receber ajuda do bloco europeu para lidar com seus problemas de endividamento leva a uma nova disparada de seus prêmios de risco.
EUA
Nos EUA, a economia segue "patinando". Hoje foi a vez de o setor de serviços desapontar os agentes. O Institute for Supply Management (ISM) mostrou que a atividade no segmento desacelerou em julho. O indicador que mede o desempenho do setor ficou em 52,7% ante 53,3% em junho.Com isso, os dados de emprego ficaram ainda mais em segundo plano. Logo cedo, a ADP Employer Services revelou que o setor privado dos EUA criou, em termos líquidos, 114 mil vagas de trabalho em julho. Ainda que o número tenha ficado acima das expectativas, o mercado segue desconfiado, já que, em julho, o indicador também havia sido favorável e os dados oficiais do "payroll" desapontaram.
A este quadro de incertezas somam-se as tensões com relação à avaliação de agências de classificação de risco em relação à nota americana.
A Moody's manteve o rating "Aaa" dos Estados Unidos, após a aprovação do acordo sobre o aumento do limite do teto da dívida do país, mas a perspectiva virou negativa. A Fitch irá terminar a revisão da nota dos EUA até o fim deste mês.
Na avaliação do Bank of America Merrill Lynch, a Standard & Poor's (S&P) deve rebaixar a nota americana nos próximos meses.
Empresas
Dentro do Ibovespa, a maior parte das ações segue no "vermelho". Há pouco, as principais quedas partiam de Braskem PNA (-6,89%, a R$ 16,07), MMX ON (-7,27%, a R$ 7,27) e Gol PN (-7,62%, a R$ 10,90).Dentre as "blue chips", Vale PNA, que chegou a cair 5,4% na mínima do dia, recuava 2,99%, a R$ 43,46; Petrobras PN, que teve baixa de 3% na mínima, cedia 2,39%, a R$ 22,42; e OGX Petróleo, que chegou a desabar, ao recuar 8,4%, tinha desvalorização de 4,78%, a R$ 11,95.
Ainda no campo negativo, após a divulgação de seus balanços, as ações ON da CSN cediam 2,70%, a R$ 15,10, e da TIM perdiam 2,24%, a R$ 9,14.
Entre os únicos destaques de alta do Ibovespa figuravam CPFL Energia ON (1,09%, a R$ 22,20), Klabin PN (0,20%, a R$ 4,98) e Cielo ON (0,18%, a R$ 43,58).
Fora do índice, as ações ON da Droga Raia (2,50%, a R$ 28,19) e da Drogasil (2,11%, a R$ 12,56) ainda repercutiam o anúncio definitivo da fusão.
(Beatriz Cutait | Valor)
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Investidores desmontam posições e Ibovespa marca 55.700 pontos
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