terça-feira, 5 de julho de 2011

Brasil Foods quer mais tempo para negociar com Cade

Presidente da empresa esteve ontem em Brasília para apresentar números sobre a união a conselheiros

O presidente da BRF - Brasil Foods, José Antonio Fay, gostaria que a empresa tivesse um tempo maior para negociar com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma proposta que poderia levar a autarquia a aprovar a fusão entre Sadia e Perdigão.

Ontem, ele esteve mais uma vez em Brasília, cercado de advogados e consultores, para apresentar números sobre a união aos membros do órgão antitruste. O executivo disse, porém, que nenhuma sugestão fechada foi apresentada ao conselho por enquanto.

"O tempo não deveria ser limitante", disse ao sair do encontro. Em princípio, o caso volta a julgamento no próximo dia 13. Há, no entanto, tempo hábil para que a avaliação seja adiada mais uma vez para o dia 27 deste mês.

Para o Cade, essa nova postergação não seria tão confortável, pois estaria às vésperas do prazo final de 60 dias para colocar um ponto final no processo.

O julgamento começou no dia 8 de junho, quando o relator Carlos Ragazzo votou contra a operação. Ele demonstrou preocupação em relação à concentração excessiva do mercado e com a perspectiva de elevação de preços de alguns produtos em até 40%.

Conversas. Para o relator, o negócio é inviável. No mesmo dia, no entanto, o conselheiro Ricardo Ruiz pediu vista dos autos, o que suspendeu o processo. É ele que está à frente das negociações com a empresa agora.

Fay reconhece que a decisão sobre a data caberá exclusivamente ao Cade e afirmou que não solicitará formalmente um novo adiamento.

Sem dar pistas sobre o andamento de um acordo, ele disse apenas que os encontros têm sido proveitosos. "Cada reunião é um ponto de avanço, ajuda a construir o processo."

Segundo fontes próximas às negociações, as conversas chegaram a um ponto crítico e alguma decisão - favorável ou não a um acordo - deve ser atingida até o fim dessa semana.

Concorrência. Ao mesmo tempo em que a BRF tenta convencer o conselho sobre a viabilidade do negócio, empresas concorrentes se esforçam em mostrar o contrário: que a operação pode ser prejudicial ao setor.

Representantes da Sampaio Ferraz Advogados, defensores da Dr. Oetker, agendaram uma série de reuniões com cada um dos quatro conselheiros que ainda precisam votar. No primeiro dia do julgamento, o advogado da Dr. Oetker, Thiago Brito, solicitou ao Cade que vetasse a união e reforçou que a fusão traz "altíssimas concentrações".



Autora: Célia Froufe / BRASÍLIA -  Fonte: O Estado de S.Paulo


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