Cobrança de IR ocorre duas vezes por ano de forma automática
Autora: PAOLA CARVALHO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Quem investe em fundos de renda fixa deve ser cobrado pelo Fisco neste mês. Maio é quando o chamado come-cotas, o desconto semestral de Imposto de Renda, reduz a quantidade de cotas dos clientes.
O investidor pagará o imposto, independente do resgate do dinheiro, no próximo dia 31. O pagamento é automático e feito por meio das próprias cotas e do dinheiro acumulado na aplicação.
A cobrança do IR nos fundos de renda fixa é semestral e ocorre sempre no último dia útil de maio e de novembro. Nos fundos de ações, a cobrança é no resgate.
Quando aplica dinheiro em um fundo, o investidor está, na verdade, comprando cotas -uma unidade de aplicação. O preço de cada cota é calculado com base na divisão entre o patrimônio do fundo e o número de cotas.
"O impacto sobre a rentabilidade se dá na medida em que o cotista fica impossibilitado de auferir essa rentabilidade sobre a parcela do come-cotas", diz Ricardo Martins, diretor de renda fixa da corretora Concórdia.
Segundo analistas, não há alternativas. "Não é possível fugir do come-cotas, mesmo resgatando antes de sua incidência. Trata-se de uma antecipação do IR a ser pago pelo investidor", afirma Fabiano Pessanha, gerente da corretora Geração Futuro.
ALÍQUOTA
O come-cotas é calculado com base na menor alíquota de cada tipo de fundo. Nos de curto prazo, o imposto é de 20%. Nos de longo prazo, 15%. A diferença é paga no momento do resgate.
Se um cotista aplicou em um fundo de longo prazo, mas apenas por oito meses, deveria ser tributado com alíquota de 20%. Porém, o come-cotas fez o recolhimento de 15%. No momento do resgate, será paga a diferença.
A Anbima (associação das entidades do mercado) enviou proposta ao governo reivindicando come-cotas anual. "O governo tem estudado a cobrança somente uma vez por ano. Vamos lutar por esse tratamento tributário. Isso pode ajudar atrair investidores de longo prazo", disse Sérgio Cutolo, vice-presidente da instituição.
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