segunda-feira, 18 de abril de 2011

Aversão ao risco generalizada pesa sobre a bolsa brasileira. OGX Despenca!

 
 

Ibovespa: os papéis ordinários da OGX (OGXP3), pertencente ao grupo do empresário Eike Batista, tinham a maior queda do dia, com baixa superior a 13%

Ibovespa: os papéis ordinários da OGX (OGXP3), pertencente ao grupo do empresário Eike Batista, tinham a maior queda do dia, com baixa superior a 13%

O viés de baixa dita rumo nos principais mercados nesta segunda-feira (18/4), diante do rebaixamento da perspectiva da dívida dos EUA, rumores sobre a dívida da Grécia e alta do compulsório na China.

"O mercado deu uma estressada mais cedo, depois que a S&P colocou a perspectiva da dívida dos Estados Unidos em 'negativo'", ponderou Felipe Casotti, gestor de renda variável da Máxima Asset Management.

A Standard and Poor's (S&P) rebaixou de "estável" para "negativa" a perspectiva da dívida soberana dos Estados Unidos, devido ao seu déficit orçamentário e elevado endividamento. No entanto, a agência de classificação de risco manteve o rating de crédito "AAA".

Como consequência, o Dow Jones recuava 1,79% para 12.120,95 pontos. O S&P 500 caía 1,69%, para 1.297,40 pontos. O Nasdaq perdia 1,91%, para 2.711,97 pontos.

Os investidores lidam ainda com a temporada de balanços por lá. Nesta manhã, o Citigroup reportou lucro líquido de US$ 3 bilhões no primeiro trimestre de 2011, o que representa uma queda de 32% ante o ganho de US$ 4,43 bilhões observado no mesmo período do ano anterior.

Na comparação com o trimestre anterior, o lucro cresceu 130%. "O banco teve desempenho melhor que o esperado", disse Casotti.

Contribui para o pessimismo global, o aumento da taxa de depósito compulsório na China e rumores de que a Grécia solicitou reestruturação de sua dívida.

Após expansão econômica de 9,7% no primeiro trimestre deste ano, o Banco Popular da China elevou a taxa de depósito compulsório recolhido das instituições financeiras em 0,5 ponto percentual, no domingo (17/4).

"Os investidores agora estão receosos de que a China eleve os juros, depois do ajuste do compulsório", relatou o gestor de renda variável da Máxima Asset Management.

Para Casotti, não é um bom momento para o mercado de renda variável. "Temos um cenário em que se espera aumento nos juros em algumas economias, inclusive nos Estados Unidos, e menor liquidez global", afirmou.

Cena doméstica

Além do ambiente externo pesado, a tendência negativa na bolsa brasileira também reflete o vencimento de opções sobre ações.

Com a semana mais curta por conta do feriado prolongado, Casotti acredita que o Ibovespa não vai se recuperar. Há ainda "o perigo de descontrole inflacionário" no mercado interno.

"Outro fator que tem prejudicado a bolsa doméstica é a trajetória ainda indefinida dos rumos a política monetária pelo mercado, que em nosso entender ainda é de aperto, ou via juros ou via medidas macroprudenciais, sobretudo após uma sinalização do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que o ciclo monetário restritivo pode se alongar", apontou em relatório Eduardo Velho, economista-chefe da Prosper Corretora.

O Comitê de Política Monetária (Copom) decide na quarta-feira (20/4) sobre o rumo da Selic, atualmente fixada em 11,75%.

No início desta tarde, o índice paulista recuava 1,94%, aos 65.388 pontos. O giro financeiro rondava os R$ 5,691 bilhões.

Dentre as blue chips, as ações preferenciais da Vale (VALE5) e da Petrobras (PETR4) recuavam 1,53% e 2,83%, respectivamente.

Destaques

Entre as ações que compõem o índice, as ordinárias da CPFL Energia (CPFE3) lideravam os ganhos, com alta 2,33%, aos R$ 46,52.

Com a segunda maior valorização, os papéis da Duratex (DTEX3) avançavam 2,21%, negociados a R$ 16,61.

A empresa informou hoje que vai investir R$ 1,2 bilhão nos próximos cinco anos para a construção de duas fábricas de painéis de madeira.

Na outra ponta, a maior queda do dia era dos papéis ordinários da OGX Petróleo (OGXP3), que depreciavam 13,69%, cotados a R$ 16,96.

O desempenho reflete estimativa abaixo do previsto sobre a capacidade da Bacia de Campos. O relatório da consultoria independente D&M apontou os chamados recursos contingentes - nomenclatura anterior à classificação de reserva comercial - são de 3 bilhões de barris.

"O mercado esperava algo em torno de 4 bilhões, e o relatório desagradou", explica Marcelo Varejão, analista da corretora Socopa.

Câmbio

No mercado de câmbio, o dólar avançava 1,27% em relação ao real, cotado a R$ 1,5960 na compra e R$ 1,5980 na venda.

Fonte: Brasil Econômico.  Por: Micheli Rueda  

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