terça-feira, 13 de março de 2012

Sem expectativa por QE3 nesta reunião, analistas não descartam alívio futuro


SÃO PAULO - O Fomc (Federal Open Market Committee) se reúne na tarde desta terça-feira (13), mas especialistas acreditam que a taxa de juro deve permanecer inalterada. Uma nova injeção de liquidez por parte do comitê também não é aguardada para esta data. Mesmo assim, o Federal Reserve dá sinais de que o alívio não está descartado no longo prazo.
A autoridade monetária deve aguardar mais dados da economia norte-americana para saber se uma nova rodada de compra de ativos é realmente necessária, avalia Aneta Markowska, economista do Société Générale. Alguns membros da instituição temem que mais um QE (Quantitative Easing) poderia trazer pressões inflacionárias. Já foram realizados dois programas desse tipo desde a crise de 2008.
Alternativas
Aneta lembra que o banco central dos Estados Unidos vem dando sinais que outros tipos de alívio estão sendo considerados. Um deles seria a compra de MBS (papéis lastreados em hipotecas), seguida da venda de Treasuries com vencimento curto.
No entanto, essa operação seria como a Twist, iniciada em setembro do ano passado. Uma nova iniciativa precisaria de valores entre US$ 500 bilhões e US$ 700 bilhões de MBS, mas apenas US$ 250 bilhões em títulos do tesouro norte-americano estarão em posse do Fed ao fim do primeiro Twist. Por esse motivo, a adoção desse estímulo é a menos provável, escreve a analista.
Outra alternativa seria uma QE3 "esterilizada". Ela seria feita através de depósitos a termo ou recompras reversas, fazendo com que o excesso de liquidez temida por alguns membros do Fomc fosse enxugado no fim do programa. Mas, para Aneta, uma nova rodada de alívio quantitativo na forma "esterilizada" não produziria efeitos tão diferentes do que as outras rodadas já adotadas até o momento.
Isso porque ambas expandem a carteira do Fed e afetam diretamente a precificação tanto do dólar como do preço desses ativos. A economista acredita que durante a reunião desta jornada essa possibilidade deva ser discutida.
Já Signe Roed-Frederiksen, do Danske Bank, avalia que a esterilização poderia agradar os membros do comitê que mostram mais preocupações com os efeitos inflacionários dos programas adotados pelo Fed. Contudo, o analista estima que há apenas 25% de possibilidade para um novo estímulo nos próximos seis meses.
Sem reversão da política
Mesmo que um novo programa deixe de ser anunciado nas próximas reuniões, a LCA Consultores também lembra que a porta continua aberta para esses movimentos. Mesmo que a economia esteja melhorando, Ben Bernanke, presidente do órgão, já deixou claro que o mercado de trabalho continua em níveis inaceitáveis.
A taxa de desemprego está pressionado o investimento e consumo no país, mesmo com o nível do setor privado acumulando 25 meses de alta. Combustíveis mais caros e o menor patamar dos gastos do governo continuam a colocar uma sombra sobre as perspectivas norte-americanas.
Por isso, a LCA diz que os EUA têm um longo caminho a percorrer antes de retomar o crescimento desejado. E por esse motivo, não é esperada nenhuma reversão da orientação expansionista de sua política monetária, ao menos por enquanto. De qualquer jeito, o relatório acredita que o Fomc é o principal foco dos mercados atualmente, depois da reestruturação da dívida grega.
 
13 de março de 2012• 11h23Por: Renato Rostás
 
http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2368635

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