O Ibovespa subiu 3,7% ontem, aumentando para 22% a valorização desde agosto. O "bull market" é normalmente definido por um avanço de pelo menos 20%
São Paulo - Os investidores do mercado mostram pouca confiança no "bull market" brasileiro.
O Ibovespa ainda acumula uma baixa de 14 por cento no ano, depois que economistas cortaram as previsões para o crescimento da economia local. Essa queda se compara a uma alta de 2,1 por cento para o Standard & Poor's 500 e de 1 por cento para o FTSE/JSE Africa All Share da África do Sul.
A disparada do "bull market" "não indica uma movimento sustentável de alta para o Brasil", disse Komal Sri-Kumar, estrategista-chefe mundial do TWC Group Inc. em Los Angeles, que administra cerca de US$ 120 bilhões em ativos. "Há muito otimismo - em minha opinião, não totalmente justificado - quanto à solução para a crise de dívida da Europa. Eu não ficaria tão animado."
O Ibovespa subiu 3,7 por cento ontem, aumentando para 22 por cento a valorização desde a mínima atingida em 8 de agosto. O "bull market" é normalmente definido por um avanço de pelo menos 20 por cento em relação à mínima do "bear market" anterior. O índice da bolsa paulista chegou a acumular uma queda de 33 por cento entre novembro de 2010 e o início de agosto. Com isso, o preço médio das ações que fazem parte do Ibovespa caiu para 7,9 vezes as estimativas para os lucros das empresas, o menor múltiplo desde março de 2009, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Avanço de commodities
As commodities subiram 5,9 por cento desde 8 de agosto, com o maior esforço das autoridades europeias para conter a crise de dívida do continente, segundo o índice GSCI, da Standard & Poor's, que acompanha 24 matérias-primas. Essa valorização dá impulso à receita de empresas brasileiras do setor.
A bolsa da Rússia também entrou no "bull market" ontem, puxada pela disparada das commodities. O índice Micex, que engloba 30 ações, subiu 1,7 por cento, ampliando a valorização desde a mínima de 5 de outubro para 21 por cento.
O volume de aluguéis de ações no Brasil, um indicador de vendas a descoberto, subiu para US$ 35,2 bilhões no mês passado, ou 2,9 por cento do valor total do mercado acionário do País, segundo dados da BM&FBovespa SA e da Bloomberg. Essa relação chegou a bater no recorde de 3 por cento em agosto. Em 2008, o máximo atingido foi de 1,5 por cento, três meses antes do colapso do Lehman Brothers Holdings Inc., em setembro daquele ano.
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