Mercados Ontem (Sexta-Feira 05/08/2011)
O composto europeu, Stoxx 600, encerrou o dia com queda de 1,76%, aos 238,88 pontos, menor nível desde julho de 2010, acumulando na semana perda de 9,94%. As preocupações dos investidores quanto às dívidas soberanas da zona do euro, reforçadas pela falta de comprometimento dos lideres da cúpula europeia, foram as principais causas para esta forte baixa, intensificadas pelos receios de uma nova recessão da economia americana.
Nos EUA os mercados após oscilarem entre o campo positivo e negativo diversas vezes, os índices encerram o dia sem uma tendência definida, porém com viés positivo maior após a divulgação dos dados do payroll acima do esperado pelo mercado. Outro impulso mais positivo ficou com as especulações de que o Banco Central Europeu poderia comprar títulos da Itália e Espanha para conter a crise de dívida europeia.
Mercados Hoje
Assim como ocorreu nos mercados asiáticos, na Europa as bolsas também recuam com a mais recente notícia negativa de que a Standard & Poor's rebaixou o rating dos EUA dos AAA para AA+ com perspectiva negativa. O composto europeu recuava 2,11% enquanto o composto asiático caiu 2,47% e os futuros do S&P caíam 2,53%. Investidores seguem bastante preocupados com a evolução da economia norte-americana, e com a crise de déficit na Europa.
Pelo sim ou pelo não, a reação é negativa, as commodities como o petróleo e o cobre recuam, com a expectativa de que a demanda diminua em meio à instabilidade econômica nos EUA e Europa. Investidores procuram proteção comprando ouro, que bate novo recorde em alta acima de 2,5% batendo a marca de US$ 1.700 a onça pela primeira vez.
Na ponta positiva, os líderes do G7 e do Grupo dos 20 disseram que estão prontos para estabilizar os mercados financeiros. Os títulos da Itália e da Espanha, os próximos países na lista para serem resgatados pela União Europeia e FMI, subiam forte reduzindo os yields, após o Banco Central Europeu comprar papéis dos dois países.
Fechamento Ásia
Como era esperado, após a agência de classificação de risco S&P ter rebaixado o rating dos EUA de AAA para AA+ com perspectiva negativa, os mercados na Ásia reagiram negativamente a este downgrade. Com isso, o composto asiático encerrou o dia em queda de 2,47%, à espera também dos dados sobre atividade e inflação a serem divulgados hoje (08) na China. O receio dos investidores de que os EUA entrem em uma nova recessão, e de que a Itália e a Espanha necessitem de resgate continua, pressionando os mercados.
Destaques Agenda
Começo de semana difícil para os mercados internacionais, com agenda norte-americana vazia, sem nenhum dado relevante a ser divulgado. Amanhã será divulgado o a produtividade da indústria e a decisão do FOMC sobre a taxa de juros dos EUA. Na quarta-feira serão divulgados os estoques no atacado e orçamento mensal. Na quinta-feira os destaques ficam com a balança comercial de junho e novos pedidos de seguro desemprego da semana passada. E para fechar a semana na sexta-feira conheceremos as vendas no varejo de julho, primeira prévia da confiança do consumidor, medida pela Universidade de Michigan e os estoques das empresas.
Na agenda local já foi divulgado o IGP-DI de julho, que ficou em -0,05% contra esperado de queda de 0,04%. O IPC-S até o dia cinco de agosto também já foi divulgado, ficando em queda de 0,01% contra esperado de alta em 0,03%. Também já foi divulgado o boletim Focus da semana passada, com os detalhes na tabela ao lado. Às 11h será divulgada a balança comercial semanal, e às 14h a utilização da capacidade instalada de junho, com esperado em 82,2%. Amanhã o destaque fica com IPC da FIPE, na quarta-feira a primeira prévia do IGP-M desse mês. E na quinta-feira o destaque fica com as vendas no varejo de junho. E na sexta-feira a agenda por aqui é vazia.
Brasil
Mercados Ontem (Sexta-Feira 05/08/2011)
Em um dia marcado pela alta volatilidade, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,26%, aos 52.949 pontos, atingindo máxima de 53.866 pontos e mínima de 51.153 pontos, com volume financeiro de R$ 8,84 bilhões. Após um dia de forte baixa, o índice abriu o pregão em alta influenciado pela divulgação do número de pedidos de auxílio desemprego acima das expectativas do mercado. Porém, as preocupações quanto uma nova recessão nos EUA pesou fortemente sobre o humor dos investidores, levando o índice a devolver grande parte de sua valorização no dia.
Na agenda local, a divulgação do IPCA medido pelo IBGE apresentou leve retração frente às expectativas dos analistas, registrando uma alta de 0,16% pela comparação mensal e acumulando 6,87% nos últimos 12 meses.
As principais blue chips terminaram o dia com desvalorização, sendo que os papéis da Petrobrás ON e PN perderam 1,92% e 2,28%, respectivamente, contrariando a leve valorização do petróleo no mercado internacional. Já as ações da Vale ON e PN encerraram o dia na mesma direção, desvalorizando 2,44% e 2,50% respectivamente.
Fluxo Bovespa
Os investidores estrangeiros ingressaram no dia 03 de agosto, quarta-feira, R$ 326 mil na Bovespa, quando o índice fechou em queda de 2,26%. No mês de agosto, o saldo acumulado de recursos estrangeiros está positivo em R$ 133,47 milhões. No acumulado do ano, os investimentos estrangeiros estão positivos em R$ 422,31 milhões. Já os investidores Pessoa Física retiraram, no dia 03 de agosto, R$ 76,44 milhões na Bovespa. No mês de agosto, o saldo está positivo em R$ 65,47 milhões. No acumulado do ano, o saldo de pessoa física está negativo em R$ 4,542 bilhões.
Mercados Hoje
Mercado local deverá reagir também às recentes noticias negativas dos EUA, que perdeu o seu rating AAA, e que somente deverá ser recuperado, se for recuperado, entre cinco a dez anos. O receio dos dados econômicos, cada vez mais fracos, divulgados nos EUA continuam fazendo pressão nos mercados, com medo de que os EUA entre novamente em recessão, arrastando com ele demais economias desenvolvidas. A situação européia também está longe de terminar, o que trás pressão adicional aos mercados. E para fechar o overview dos mercados, hoje à noite será divulgado na China dados sobre atividade e inflação, que poderão ser um driver para os mercados amanhã.
} Banco do Brasil - De acordo com um artigo publicado no jornal "Valor Econômico", o Banco do Brasil deverá revisar para baixo o seu guidance de crescimento da carteira de crédito para 2011. Segundo o presidente da instituição, Aldemir Bendine, o motivo para a redução da meta de expansão do crédito pelo banco é resultado das últimas medidas macroprudenciais adotadas pelo BC e a queda no ritmo da demanda por crédito no setor produtivo do Brasil. Acreditamos que a notícia seja de cunho negativo para a instituição, porém aguardaremos um pronunciamento oficial do Banco para avaliarmos melhor os impactos na empresa.
} Cesp - A companhia divulgou na sexta-feira (05/08) após o pregão, seus números referentes ao 2° trimestre de 2011, que, em linhas gerais vieram abaixo das expectativas do mercado. A receita líquida foi de R$ 700,2 milhões, um crescimento de 1,71% relação ao mesmo período do ano passado, porém 3,6% abaixo do trimestre anterior, frustrando as expectativas do mercado em 2,9% que totalizavam R$ 721,3 milhões. A expansão no faturamento líquido pela companhia sobre o mesmo trimestre de 2010 foi impactado principalmente pelo aumento dos preços da energia no mercado Cativo, que apresentou um crescimento de 4,9% pela comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, a queda na receita líquida da empresa foi afetada principalmente pela forte queda das vendas de energia no mercado de curto prazo (PLR), que recuaram 70,3% pela comparação trimestral. Já o EBITDA ficou em R$ 471,7 milhões, apresentando um crescimento de 3,73% em relação ao segundo trimestre de 2010 e uma queda de 9,4% sobre o trimestre anterior, superando as expectativas do mercado em 2,62%, que somavam R$ 459,7 milhões. Tal crescimento anual foi provocado pela forte queda nas provisões operacionais, que recuaram 63,7% no período. Ao que se refere ao lucro líquido divulgado, a Cesp alcançou no 2T11 um total de R$ 72,6 milhões, valor 7,5% inferior ao atingido no mesmo trimestre de 2010 e 18,9% superior pela comparação trimestral, frustrando fortemente em 27,9% o valor esperado pelo mercado.
} A alta de aproximadamente 43,4% e 45,6% sobre os preços dos materiais e serviços prestados por outras companhias, e o forte recuo de 31,2% no resultado financeiro da Cesp, decorrente da valorização cambial, afetaram o lucro da companhia frente ao mesmo período do ano passado. Por outro lado, a alta do lucro líquido pela comparação trimestral foi impulsionada pela redução nas despesas líquidas da companhia, que apresentaram um recuo de 68,09% frente ao trimestre passado. O destaque positivo ficou para a redução do endividamento da companhia sobre o 1T11, que recuou 6,6% no período , atingindo R$ 3,49 Bilhões. Acreditamos em um impacto marginalmente negativo para os papéis da Cesp, uma vez que a companhia apresentou fracos dados operacionais no trimestre. Além disso, aguardaremos o conference call da companhia para maiores detalhes.

} GP Investimentos - A companhia anunciou ontem (07/08) por meio de um fato relevante, a aquisição de 65% da rede brasileira de churrascaria "Fogo de Chão". Segundo um dos sócios do fundo de private equity, Danilo Gamboa, a operação não envolverá um novo aporte de capital na empresa de churrascaria, uma vez que o fundo deverá assumir todas as dívidas da companhia, atualmente avaliada em US$ 200 milhões. O fundo de investimentos, que já havia adquirido em 2006 cerca de 40% do capital da companhia de alimentos por US$ 64 milhões , passará a deter 100% do capital do "Fogo de Chão". A notícia é marginalmente positiva para a instituição.
} Light - A companhia divulgou sexta-feira, após o pregão, seus números referentes ao 2° trimestre de 2011, que, em linhas gerais, vieram abaixo das expectativas do mercado. A receita líquida foi de R$ 1,64 bilhão, crescimento de 8,27%% em relação ao mesmo período do ano passado, 10,74% abaixo do trimestre anterior e 1,01% acima das expectativas do mercado que totalizavam R$ 1,62 bilhão. O desempenho foi influenciado principalmente pelo crescimento dos mercados residenciais e comerciais, que aumentaram 2,6% e 5% na comparação anual. Já o EBITDA ficou em R$ 240,80 milhões, 36,70% inferior na comparação anual, queda de 44,64% em relação ao trimestre anterior e 19,16% abaixo das expectativas do mercado que totalizavam R$ 297,9 milhões. Tal variação ocorreu devido ao crescimento na comparação anual de 37,3% nos custos e despesas gerenciáveis, com destaque para a o aumento nas despesas com pessoal, material e provisões com devedores duvidosos. E o lucro líquido divulgado foi de R$ 45,3 milhões, queda de 67,09% em relação ao mesmo período do ano passado, 72,71% abaixo do ultimo trimestre, frustrando as expectativas em 48,70%, que totalizavam R$ 88,4 milhões. Tal resultado foi influenciado negativamente pelo resultado financeiro negativo de R$ 58,2 milhões, 176,1% superior em relação ao mesmo período do ano passado. Esse aumento ocorreu principalmente devido ao crescimento de 33,2% nos juros sobre empréstimos e financiamentos das emissões de debêntures da companhia realizada em abril e maio deste ano. O destaque negativo ficou para a queda da margem EBITDA, que recuou 10,44% na comparação anual e 9% com relação ao trimestre anterior. Em linhas gerais, os números apresentados vieram abaixo das expectativas do mercado, devendo ter um impacto negativo sobre os ativos da companhia. Aguardaremos o conference call, a ser realizado hoje para maiores detalhes.

} Vivo e Santander - Segundo o jornal "Valor Econômico", a operadora de telefonia celular Vivo e o banco Santander fecharam um acordo de 15 anos e lançarão um cartão de crédito, que poderá ser solicitado a partir do primeiro trimestre de 2012. O cartão oferecerá benefícios em serviços telefônicos e em produtos financeiros, como a conversão de recursos gastos em compras para pontos da Vivo. A notícia é meramente informativa, não devendo impactar sobre os preços dos ativos das companhias.
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