sexta-feira, 11 de março de 2011

Chuva de notícias ruins leva Bovespa a cair 1,82%. Bolsa Norte Americana registruo tbém sua maior queda desde agosto

Autor(es): Daniele Camba
Valor Econômico - 11/03/2011
 

Uma chuva de más notícias internacionais atingiu em cheio o mercado ontem. Elas vieram de todas as partes. Da China, com os números sobre a balança comercial. Dos EUA, com os números de pedidos de seguro-desemprego bem acima do que se previa. Da Europa, com a agência de classificação de risco Moody"s reduzindo a nota de crédito do país, além do Banco Central avisando que 12 bancos espanhóis terão de levantar € 15,152 bilhões. Do norte da África, com o agravamento dos conflitos na Líbia e chegando em outras regiões como a Arábia Saudita.

Essa mescla de fatos negativos fez os mercados caírem no mundo todo. No Brasil, o Índice Bovespa chegou à casa dos 65 mil pontos, mas fechou em 66.040 pontos, baixa de 1,82%. Essa é a menor pontuação do indicador desde 11 de fevereiro, quando fechou aos 65.755 pontos.

A queda de ontem, com um volume financeiro de R$ 7,5 bilhões, inflado para os padrões do mercado brasileiro, é um sinal preocupante de que a tendência do mercado neste momento é de baixa, afirma o responsável por produtos, estratégia e home broker da corretora do banco Santander, Hugo Azevedo.

"Nos dias em que o mercado sobe, o volume é baixo, já nos dias de queda, o giro é bem maior; isso significa que não existem novos compradores, mas sim novos vendedores", diz Azevedo.

Ele afirma que, graficamente, o Ibovespa possui dois níveis importantes, um em 65.400 pontos e o outro em 64.100 pontos, e que devem ser testados, já que a tendência do mercado é negativa. Na visão dele, o Ibovespa deve oscilar num intervalo entre 62 e 69 mil pontos pelo menos até o fim do primeiro semestre.

Com esse cenário em que sobra volatilidade e falta uma direção certa para o mercado, Azevedo acredita que o melhor que os investidores têm a fazer é se aproveitar de movimentos de curto prazo e em ações específicas. "O nome do jogo é seleção de ações e de tiro curto", explica o estrategista.

Os acontecimentos locais também contribuíram para o pessimismo da bolsa. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sinalizou que o ciclo de aperto monetário deve ser menor. Isso não deveria ser positivo para o mercado? Em tese sim. A questão é que, uma alta menor da Selic só será possível porque novas medidas macroprudenciais, como o aumento do depósito compulsório dos bancos, devem estar por vir, afirma o gerente da mesa de investimentos de pessoa física da Fator Corretora, Alfredo Sequeira.

Tal percepção atingiu em cheio as ações de bancos, que lideraram as quedas do Ibovespa. O outro lado da moeda da ata de ontem do Copom é que juros mais brandos beneficiam setores ligados à economia local, como varejo, consumo e construção. Não é à toa que tais papéis estiveram entre as altas dos Ibovespa ontem.

Daniele Camba é repórter de Investimentos

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