Para o petróleo, os gráficos já apontam uma espécie de saturação, indicando que não há espaço para alta muito maior
Pressão inflacionária e noticiário turbulento no Oriente Médio devem continuar mantendo as commodities no centro das atenções do investidor. Na agenda, foco segue na decisão do Copom.
Após uma semana de volatilidade, o principal índice acionário do país, o Ibovespa, terminou a sexta-feira (25/2) acumulando queda de 1,71%. No ano, a variação está negativa em 3,47%, mas o índice caminha para fechar o mês com leve valorização (+0,49%).
Mesmo com a forte agenda prevista para a próxima semana que inclui nada menos que a decisão da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e o Livro Bege, do Federal Reserve (banco central americano), ambos na quarta-feira (2/3) , a tendência é que os olhares continuem voltados à pressão inflacionária sobre a alta das commodities.
"É claro que a questão do Oriente Médio e da Líbia está pesando bastante sobre as commodities, mas esse não é o principal problema no momento", defende Leandro Ruschel, sócio da Leandro & Stormer.
Para ele, a alta das commodities tem um fundo inflacionário que merece ser avaliado com maior cuidado pelo investidor. Com isso, entra em cena o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que será divulgado pelo IBGE na próxima sexta-feira (4/3).
Nesse sentido, as atenções podem se voltar à decisão do Copom que, segundo Ruschel, acaba "entre a cruz e a espada". "Ao mesmo tempo que tem a pressão inflacionária, eles estão suficientemente preocupados em não atrair mais dólares para a economia local. Não é um cenário fácil."
O recado de Ruschel para o investidor é a cautela, uma vez que o cenário é de indefinição. "Não é hora de tomada de risco. O investidor que quiser buscar algo de longo prazo pode buscar investir no setor bancário, que já está bem descontado e sempre foi muito rentável", avalia. "Mas para operação no curto prazo, não é hora de grandes operações."
Análise técnica
Do ponto de vista gráfico, o Ibovespa deve seguir em território indefinido, descolado do índice Dow Jones, da bolsa de Nova York. Enquanto os Estados Unidos passa por uma correção natural de mercado, sem romper a sua longa tendência de alta.
"Só vale a pena se preocupar com a correção dos Estados Unidos caso ele rompa a tendência de alta. Antes disso, o movimento é normal", sinaliza Juliano Carneiro, professor da Cardin Investimentos, especialista em análise técnica.
Nesse contexto, o Ibovespa tem sinalizado maior associação com o Dow Jones nos momentos de correção que nos momentos de alta. Na visão de Carneiro, está sendo formada a figura conhecida por ombro-cabeça-ombro invertido. Essa figura contém em si o forte indicativo de reversão.
No caso do Ibovespa, a tendência de alta somente será acionada após o rompimento dos 68.225 pontos, que seria a próxima resistência a ser enfrentada pelo índice. "Até lá, enfrentamos zona de congestão", sinaliza Carneiro.
Petróleo
Quem evitou perdas maiores no Ibovespa esta semana foi a Petrobras, que, com a forte alta do petróleo, acumulou valorização de 4,49% nos últimos cinco pregões.
Para o petróleo, os gráficos já apontam uma espécie de saturação, indicando que não há espaço para alta muito maior. Embora o Índice de Força Relativa do ativo esteja em 71,28%, o que indicaria mais espaço para subida, essa tem sido uma resistência muito forte para o preço do ativo nos últimos meses.
Além disso, Carneiro destaca que movimentos muito íngremes graficamente tendem a ser vazios em força. "Movimentos muito acelerados de alta não costumam ter muita força nem levar a rompimentos muito fortes. Geralmente são muito especulativos", aponta o especialista.
Confira o gráfico elaborado pelo especialista Juliano Carneiro sobre os movimentos dos preços de petróleo nos últimos meses:
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